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Les miens privilèges

Meu psicoterapeuta sempre me dizia que se isolar das pessoas não era algo bom, por vários motivos que me explicava. E hoje consigo enxergar uma verdade nisso, coisa que antes não entendia, afinal elas só me faziam mal.
Percebi que ao conversar com as pessoas, da forma que eu sou e não da que pensava que deveria ser, descubro que tudo o que passei não são unicamente "privilégios" meus, mas todos passaram ou passam por algo similar, com mais ou menos intensidade, em diferentes situações, porém, causando um mesmo sentimento. Ou seja, começo a enxergar as mentes das pessoas e que todos nós temos uma mesma base. O ser humano ainda é frágil e ingênuo. Óbvio que não dá para generalizar porque cada um pende mais para o seu lado emocional ou racional, mesmo assim, a verdade é que todos já provaram um pouco desse gosto amargo da vida, se não provou, provará ainda. Justamente pelas diferenças, cada um reagirá de uma forma condizente, mais rápida ou lenta. Enfim, novamente digo, há uma base, em algo somos todos iguais. Aqueles que parecem ser diferentes, só parecem, na verdade são pessoas feitas de vidro, como um dia eu fui, que não deixam se transparecer. Seja por medo, insegurança ou infinitos sentimentos que inundam nossas mentes só para tentar adiar o sofrimento.
Difícil explicar... talvez algum dia eu edite o texto para me expressar melhor. Ou talvez alguém entenda até lá.
"O que era um louco? Não tinha a menor idéia porque esta palavra era empregada de uma maneira completamente anárquica: diziam, por exemplo, que certos esportistas eram loucos por desejarem quebrar recordes. Ou que os artistas eram loucos, pois viviam de uma maneira insegura, inesperada, diferente de todos os “normais”. Por outro lado, Veronika já vira muita gente andando nas ruas de Lubljana, mal agasalhada durante o inverno, pregando o fim do mundo, empurrando carrinhos de supermercado cheios de sacolas e trapos..."
(Veronika decide morrer by Paulo Coelho)

Acordar, Viver

"Como acordar sem sofrimento? Recomeçar sem horror?
O sono transportou-me àquele reino onde não existe vida e eu quedo inerte sem paixão.
Como repetir, dia seguinte após dia seguinte, a fábula inconclusa, suportar a semelhança das coisas ásperas de amanhã com as coisas ásperas de hoje?
Como proteger-me das feridas que rasga em mim o acontecimento, qualquer acontecimento
que lembra a Terra e sua púrpura demente? E mais aquela ferida que me inflijo a cada hora, algoz do inocente que não sou?
Ninguém responde, a vida é pétrea." (by Carlos Drummond de Andrade)

Se tudo existe

"Se tudo existe é porque sou.
Mas por que esse mal estar?
É porque não estou vivendo do único modo que existe para cada um de se viver e nem sei qual é.
Desconfortável.
Não me sinto bem.
Não sei o que é que há.
Mas alguma coisa está errada e dá mal estar.
No entanto estou sendo franca e meu jogo é limpo.
Abro o jogo.
Só não conto os fatos de minha vida: sou secreta por natureza." (by Clarice Lispector)

I had a dream…

Um dia tive um sonho ingênuo, no qual me perdoei porque eu era assim também, além de um ser estúpido, cego, sozinho, deprimido e preguiçoso. Acreditei um dia fazer a diferença (apesar de ainda conseguir acreditar nisso, talvez seja algum motivo de sofrimento). Simplesmente porque a universidade para nada serviu. Pior foi escolher um curso medíocre somado com essa ilusão de fazer a diferença. Era um sonho. Como conseqüência, foram quatro anos mais imprestáveis ainda. Sem ter opção de parar. Quando eu devia ouvir meus próprios conselhos, eu os neguei. Seguia conselhos alheios. Mas o sofrimento era só meu.
Neste meio tempo, pensei em resignação e que, de certa forma, causou um breve alívio. Muito breve. Pensava, ao mesmo tempo, se fiz algo certo nesta vida, pensava e nunca tinha  respostas. Enfim, acordei, o sonho interrompeu-se. Como todos os outros, sem se concretizar. Aliás, sonhar já não fazia parte de mim a muito tempo.
Depois de anos e anos sem rumo, naquela mesmice, sem objetivo, sem saber o que mais fazer, brotou algo novo. Um novo sonho? Sei lá. Decidi abrir mão de tudo e começar do zero, mudar a direção. E assim fui indo, durante meses , hoje  já não sei bem onde seguir, será que me perdi, penso eu, mas não. Não posso pensar. Determinação.
Acordo e peço a Deus que me dê forças para tolerar mais um dia nessa terra de seres ignorantes e que me guie sem me perder no meio deles. Ou será que eu deveria rezar ao demo? Quem é o dono dessas terras? Pai dessas criaturas cheias de ruindade?
Às vezes me afasto delas com medo de me contagiar. Ou de falar coisas que não deveria. Não sei o que é melhor. Temos duas opções: mexer-nos para tentar mudar ou deixar como está. O problema é que tentar mudar causa desconforto nas demais pessoas que se afastam de você e o papel pode inverter-se. Coisas da minha mente...
Porém não consigo deixar as coisas como estão. Quero tudo e agora.
“O trabalho não constitui uma necessidade só para ganhar dinheiro, mas para que o indivíduo desenvolva sua inteligência e sentimentos, para adquirir qualidades e talentos; o trabalho é fundamental para que o ser humano tenha equilíbrio e felicidade. O próprio Criador é chamado por Aristóteles de Ato Puro porque ele está em total atividade cada segundo, enquanto que os demônios estão parados e esquizofrênicos, sofrendo enorme angústia e depressão... O que o ser humano mais procura é o que geralmente menos tem; estou falando do dinheiro, mas poderia também dizer o mesmo da felicidade, saúde e paz. Poder-se-ia mesmo dizer: realize, faça tudo o que puder para o bem-estar do ser humano, que todo o restante virá automaticamente em sua vida...” (Trabalho e capital by Norberto Keppe)

Cheer up!

Esta foi uma das poucas matérias que li que orienta “amigos” sobre como ajudar e não atrapalhar mais a sua vida. Graças a Deus apareceu uma única pessoa assim na minha vida a quem sou completamente grata, pois sua atitude foi mais que o suficiente (posso dizer que significa sentimento de amor, caridade, benevolência com conhecimento, quem sabe não leu algo parecido com este artigo). Lamentavelmente, muitas pessoas que vivem ao nosso redor não são “amigos” de verdade como acreditamos e, em um momento frágil, quando mais se precisa de ajuda, não há alguém para lhe socorrer. Ninguém é obrigado a entender sobre a doença, isso é óbvio. Mas quando há amor nessa relação, seja entre amigos, cônjuges, família etc, automaticamente nasce uma empatia que poderá brotar uma curiosidade em como ajudar e isto poderá ser essencial quando se precisa de apoio alheio. Esta atitude poderá servir para várias situações. Mas somente o fará quem realmente se importar com você. A realidade é esta.
(Marcus, agradeço-lhe por ter me guiado quando estava mais perdida. Sem você eu nada seria hoje. Amo-te!)
“Depressão é uma palavra freqüentemente usada para descrever nossos sentimentos. Todos se sentem "para baixo" de vez em quando, ou de alto astral às vezes e tais sentimentos são normais. A depressão, enquanto evento psiquiátrico é algo bastante diferente: é uma doença como outra qualquer que exige tratamento. Muitas pessoas pensam estar ajudando um amigo deprimido ao incentivarem ou mesmo cobrarem tentativas de reagir, distrair-se, de se divertir para superar os sentimentos negativos. Os amigos que agem dessa forma fazem mais mal do que bem, são incompreensivos e talvez até egoístas. O amigo que realmente quer ajudar procura ouvir quem se sente deprimido e no máximo aconselhar ou procurar um profissional quando percebe que o amigo deprimido não está só triste.
Uma boa comparação que podemos fazer para esclarecer as diferenças conceituais entre a depressão psiquiátrica e a depressão normal seria comparar com a diferença que há entre clima e tempo. O clima de uma região ordena como ela prossegue ao longo do ano por anos a fio. O tempo é a pequena variação que ocorre para o clima da região em questão. O clima tropical exclui incidência de neve. O clima polar exclui dias propícios a banho de sol. Nos climas tropical e polar haverá dias mais quentes, mais frios, mais calmos ou com tempestades, mas tudo dentro de uma determinada faixa de variação. O clima é o estado de humor e o tempo as variações que existem dentro dessa faixa. O paciente deprimido terá dias melhores ou piores assim como o não deprimido. Ambos terão suas tormentas e dias ensolarados, mas as tormentas de um, não se comparam às tormentas do outro, nem os dias de sol de um, se comparam com os dias de sol do outro. Existem semelhanças, mas a manifestação final é muito diferente. Uma pessoa no clima tropical ao ver uma foto de um dia de sol no pólo sul tem a impressão de que estava quente e que até se poderia tirar a roupa para se bronzear. Este tipo de engano é o mesmo que uma pessoa comete ao comparar as suas fases de baixo astral com a depressão psiquiátrica de um amigo. Ninguém sabe o que um deprimido sente, só ele mesmo e talvez quem tenha passado por isso. Nem o psiquiatra sabe: ele reconhece os sintomas e sabe tratar, mas isso não faz com que ele conheça os sentimentos e o sofrimento do seu paciente.”
(Fonte: http://www.psicosite.com.br/tra/hum/depressao.htm)

Hell

O desespero começa a tomar conta de mim. As esperanças que restam afundam-se num buraco negro infinito. Começo a enxergar o que é real. Sonhos se desfazem. É hora de voltar à realidade. Mas o desejo maior é sumir. Seria ótimo ir para muito longe, longe de tudo, estaria eu longe dos problemas, longe dos meus pensamentos também? Ou estes me perseguirão eternamente?
Vontade de chorar, gritar, berrar até explodir, colocar toda essa angústia para fora. Sei que não sou perfeita, pelo contrário, erro sempre pelo excesso.
Por que devo viver de forma submissa e aceitar tudo o que vem a mim? Por que não tenho direito de ser feliz? Por que todos nós não temos esse direito? Por que temos que nos sacrificar por qualquer coisa? Nada é fácil. Por quê?
Porque aqui onde vivemos é o inferno. Sim, se o inferno existe, este é o lugar. Maldito lugar que nos faz sofrer, a ter os piores sentimentos e experiências possíveis.
Eu odeio este lugar e se aqui é o inferno, para onde irei? Só isso explica esse nó na garganta, esse aperto no peito que sinto, que me sufoca e me engasga.
Se espiritismo existe, devo ter sido alguém muito, muito má. Alguém que não mereceu ter mais alguma tranqüilidade, sorriso, alegria, vontade.
Sorrir. O que é isso? Invejo as pessoas que conseguem sorrir, um sorriso sincero que vem lá de dentro e aparece com espontaneidade e de forma humilde e inocente. Pessoas felizes. Pessoas que aparentemente tem uma vida ainda pior, mas que conseguem tirar um sorriso e uma razão para viver. Mas por que eu não consigo? Por que tenho uma mente e uma vida doentia?
Eu sinto-me tão cansada...
De tentar.
De brigar.
De aceitar.
Das terapias.
Das preocupações.
De analisar meus sentimentos podres.
De analisar o mundo.
De tentar um bom emprego e um salário decente.
De pensar.
De estudar.
De chorar.
De viver.
De esperar.
De respirar.
De acreditar.
De ser alguém.
De tomar tantos medicamentos. Entendi que de nada adianta eu tomar todas essas drogas se minha vida não mudar. Não é o cymbalta, nem bupropiona, nem alprazolan, nem lítio, nem diserim, nem lexapro, nem depakote, nem risperidona, nem dormonid, nem neuleptil, nem bromazepam que mudarão minha vida. Nada muda minha vida. Uma farmácia inteira não mudaria minha vida. Nada muda meus sentimentos. Nada alivia. Nada, nada, nada.
Sei que muitos pensam que não tenho vontade, que sou pessimista ou que não tenho fé. Mas ninguém sabe, também, o que eu sinto. É indescritível. Ninguém tem idéia da ferida que existe dentro de mim. Ninguém sabe nem entende o que é depressão.
“O mal se utiliza dos pontos fracos das pessoas para dominá-las. As pessoas impressionáveis, as que se julgam fracas, que se deixam dominar pelo medo, as que se culpam pelos erros, são manipuláveis por eles. Conhecem seus pensamentos íntimos, fazem sugestões mentais. Assim minam a resistência dessas pessoas e as dominam. Não se deixar envolver pelo negativismo, procurar ser otimista, é o primeiro passo para libertar-se deles... Ninguém pode ser feliz escolhendo a infelicidade. Comece agora a pensar em você. Cuide da sua vida, que tem estado abandonada há tantos anos. Chegou a hora de pensar nas escolhas que tem feito ao longo do tempo e em como se envolveu nos problemas que a atormentam... Precisa entender que há que plantar para colher. Confiar na vida, buscar o otimismo, esquecer o passado, já que não dá para mudá-lo, buscar motivação para recomeçar. Você pode.” (Trechos de Ninguém é de ninguém)

Cultura merdívora

Existem pessoas que ficam estagnadas durante toda a vida para depois de muito tempo abrir os olhos e perceber parte do que aconteceu no mundo e em sua vida depois de tanto tempo, mesmo assim, ainda sem conseguir acompanhar o tempo real. Pessoas que não fizeram nada para mudar o estágio em que se encontravam, só vivendo a base do trabalho, sem investimentos próprios. Isso prova o quanto o trabalho não enriquece nossa vida, só a estagna, enquanto o tempo corre. É isso que eu não espero para mim. Espero ter conseguido abrir meus olhos na hora certa para que não deixasse a ignorância me corroer e um dia ser um nada na vida. Espero conseguir vencer esta prova o mais rápido possível para largar a cruz que carrego, não em meus ombros, mas em minha mente.
Ou, quem irá saber, talvez estivesse mais feliz e em harmonia com a ignorância que me vestia. Aceitar e ponto. Não causaria atritos. Entenderia que a vida é assim. Mas, não. Preferi me rebelar, ir contra o vento, contra a correnteza, como um furacão que derruba o que tiver pela frente. Será que errei por isso? Em querer fazer que minha vida fosse diferente da que vejo? Porque para viver desta forma escolhi morrer. Um dia poderia, pelo menos, dizer a mim mesma, onde quer que esteja, mesmo embaixo de uma ponte, que tentei. Afinal, a vida é assim. Tentamos, às vezes não conseguimos, caímos, levantamos e tentamos novamente e tentamos e tentamos... então no final avaliarmos o resultado que poderá ser qualquer um. Quem preferir se arriscar será assim. Quem não preferir, continua do jeito que está sem direito de reclamar depois. Em uma aposta podemos ganhar ou perder tudo. Quem viver verá.

What now?

Brigo a todo instante com o meu interior, se assim posso chamar, com este sentimento que me incentiva a desistir, enche minha mente de desilusões, faz desacreditar que qualquer esperança mínima possa existir. Por quê? Por que este interior é mais forte que qualquer outro? Eu não digo que sou fraca porque tento e ninguém melhor que eu poderia saber disso, conhecer tudo o passa por mim. Muitas coisas, nem eu mesma entendo, quem dirá os outros que poderão acreditar ou não.
Seria eu culpada de tudo isso? Desde pequena cresci com esse sentimento. E até hoje faço a mesma pergunta. O que eu deveria ter feito para que fosse diferente? O que devo ainda fazer? Resta algo?
Essa é foi a transição mais difícil que passei. Após um único sonho conquistado, qual seria agora o meu objetivo? Foi muito difícil pensar e descobrir, demorei muito tempo, anos para defini-lo. Se não fosse meu anjo guardião para insistir, acreditar, incentivar sempre, talvez não teria conseguido passar dessa fase. Agora, dia a dia, dou um passinho a mais atrás do meu objetivo, tenho certeza que solucionará todos os meus problemas. Pois poderei pensar e viver sem ter que preocupar-me com dinheiro, com o mundo material, poderei dedicar tudo para mim, e quando digo “para mim” significa que é para todas as pessoas ao meu redor, poderei alcançar mais longe por elas também. Espero que Deus acredite em mim e ilumine o meu caminho para que eu não erre mais. Não posso errar. Não há mais tempo para isso. Nunca houve. A vida é tão rápida, tudo passa tão depressa, mais rápido para uns, menos para outros. Tanta gente brigando para sobreviver. Um dia viveremos todos em paz? Por que tive tanto medo? Medo de viver aquilo eternamente. Não fiz o melhor caminho, fiz o mais rápido, sem pensar nas conseqüências. Quem tem pressa come cru, não é mesmo? Mas eu era muito imatura para tomar qualquer decisão, como eu precisei de ajuda, só as minhas preces não davam resultado. E quem poderia ter me ajudado, Deus levou. Como precisei de orientação, palavras sinceras e sensatas, mas tudo passou, e hoje tento emendar os buracos que ficaram no caminho. Não estou culpando alguém, nem estou a procura disso. Mas hoje entendo como é importante estarmos sintonizados com o mundo, uma coisa que parece ser diagnosticada facilmente, ninguém soube fazer, demorei mais de dez anos para descobrir. Foi um pedaço da vida que não vivi e não que não terá volta.
O que devo fazer para mudar? Como devo fazer? Tento, mas não vejo progresso. Parece ser mais forte que eu mesma. Como conseguiria preencher meu coração com o mais puro amor e ignorar qualquer outra coisa? Quando digo amor é em relação a tudo, a vida, as pessoas, a família, ao trabalho, a carreira, ao presente.
Ao meu anjo agradeço, aliás, seria muito egoísmo dizer que é meu, este belo anjo protege muitas pessoas, nós precisamos muito de você. O seu espaço em meu coração, na minha mente, nos meus pensamentos estará sempre reservado.
A qualquer desilusão mínima que possa passar pelos meus pensamentos, logo penso nele, ou ele já se manifesta, nesse mesmo instante, sou regada por um sentimento rico de esperanças, de amor e que me fortalece, faz com que eu levante e continue, continue indo mais longe, cada vez mais. Então, a desilusão se transforma em coragem. Fico tão agradecida pelas circunstâncias ocorridas que me causaram sofrimento, mas que se concluiu com conseqüências positivas, assim tudo valeu a pena. Ainda nesse instante, penso como sou feliz ao mesmo tempo de qualquer tropeço. Penso tanto que chego a imaginar como vivem as pessoas sem seus anjos e então tento idealizar para que todos logo se encontrem e possam viver mais felizes e com mais esperança, sentimento este que nos alimenta todos os dias para acordar e começar um novo dia. Mas, não um dia qualquer. Um dia melhor.

I’m on my way

Eu tento todos os dias, não posso negar que tenho medo do que pode acontecer, por isso nem penso, eu só continuo caminhando, sigo em frente, olhar para trás nunca mais, o passado foi depositado no baú das memórias.
É como nascer de novo. Começar tudo de novo, não. Começar diferente. Agora nasci cercada de anjos. Se não fossem os anjos...
Sozinha eu não iria a lugar nenhum, teria parado há muito tempo. Anjos que nos estimulam, mesmo que indiretamente, a viver a vida da forma que deve ser vivida. E sou grata a eles. Não sei o porquê
eu havia aprendido errado e demorado tanto para enxergar. Deixa pra lá, o passado foi guardado. Por algum motivo, teve que ser assim, viver com resignação, algumas vezes não consegui, perdi mesmo a esperança, abri mão de sonhos, mas, no fundo, nunca deixei de acreditar que é possível um dia conquistarmos aquele objetivo que pareça estar longe, ou talvez o mais próximo possível, e conseguir estar lá, sentir essa vida, aquele ar, por mais que exista furacões em sua direção... um dia descansar e, então, olhar para trás com um belo sorriso, sim, rir da vida, do passado, dos momentos que se foram, orgulhar-se disso ou perdoar-se e saber que acrescentamos algo. Não importa o tamanho ou a quantidade, e sim que pudemos fazer algo a mais.
Já tive sonhos realizados, busco outros, sempre mais, não deixa de ser verdade, rumo à felicidade que integre tudo, tudo... difícil explicar.
“Tenho muito para contar... Na vida a gente tem que entender que um nasce para sofrer enquanto outro ri... Mas, quem sofre sempre tem que procurar, pelo menos viajar, razão para viver... Na vida algum motivo pra sonhar...” (by Tim Maia)

Viajei longe e encontrei a minha razão para viver e que me abastece diariamente com um recurso que não acaba nunca: o amor.
“Eu quero que você venha comigo... todo dia...” (by Chico Buarque)
Meu bom anjo, não me abandone...

Society, you’re a crazy breed

Primeira aula de direito tributário, um ramo do direito público. E esta frase sempre chamou minha atenção:
O tributo não é castigo, e sim o ônus de viver em sociedade.
"O quêêêêêêêêêêêêêêêê???"
Sim, pagamos tributos porque queremos viver em sociedade.
Mas quem disse isso? Quem disse que eu quero viver em sociedade? E ainda nesta sociedade? O que é sociedade afinal? Será que estamos falando do mesmo conceito?
Segundo meu ídolo e inseparável amigo Aurélio Buarque de Holanda Ferreira pode significar, juridicamente, contrato consensual pelo qual duas ou mais pessoas se obrigam a reunir esforços ou recursos para a consecução dum fim comum. Sociologicamente, corpo orgânico estruturado em todos os níveis da vida social, com base na reunião de indivíduos que vivem sob determinado sistema econômico de produção, distribuição e consumo, sob um dado regime político, e obedientes a normas, leis e instituições necessárias à reprodução da sociedade como um todo; coletividade.
Eu vivo nesta tal sociedade porque assim sou obrigada. Obrigada a conviver com seres escrotos, sem oportunidade de escolha. Não podem dizer que “queremos viver em sociedade”, e sim somos simplesmente obrigados a isso. Será que perguntaram a todos mesmo? Quem quer viver em sociedade põe o dedo aqui! Tanta gente que se odeia, até dentro de suas próprias famílias.
Porém, não posso deixar de dizer que tenho minha própria sociedade também, a que eu formei, e esta é bem pequena, mas os que nela se encontram são pessoas limpas e escolhidas por mim, me dão razão para viver. Por isso, não cobro tributos, cobro mais que isso, cobro o preço da minha conquista, nem todos podem pagar, nem todos podem entrar, nem todos podem conviver.
Fora desta, a sociedade é repugnante, não consigo ficar no meio dela e ter uma convivência sadia, não consigo trocar palavras, se encontrasse o gênio da lâmpada mágica eu pediria para tornar-me transparente. Apesar que, atualmente, não tenho sido mais notada mesmo, tento manter-me distante, até que está dando certo, tem sido bom. As poucas vezes que sou notada é alguma confusão armada. Pensando bem, acho que não está dando tão certo assim. No mínimo eu não deveria estar incomodando as pessoas. Por que incomodo tanto assim? Nem conviver com elas eu quero, não é uma opção que fiz. Afinal existem bilhões de pessoas para um único planeta. Cada pessoa no seu metro quadrado. Ado ado ado. Alguns têm que sobreviver em espaços menores. Por opção? Não temos opção. Se tiver, acho que faltei nessa aula.
Acho que desisti da idéia de ter filhos também. Se eu repugno tanto assim a tal sociedade, o meio em que vivo, como eu teria coragem de trazer seres ingênuos para torná-los parte deste mundo? Para fazê-los sofrer? Ou então para eu ser alguma decepção a eles ou eles para mim, ou não ser quem eles gostariam que eu fosse, ou serem simplesmente nada. Eu não poderia fazer isso. Eu acho que não suportaria.

"It’s a mystery to me
we have a greed
with which we have agreed

You think you have to want
more than you need
until you have it all you won’t be free

society, you’re a crazy breed
I hope you’re not lonely without me

When you want more than you have
you think you need
and when you think more than you want
your thoughts begin to bleed

I think I need to find a bigger place
‘cos when you have more than you think
you need more space

society, you’re a crazy breed
I hope you’re not lonely without me"

Eddie Vedder - The Wolf

Cannibals: you can never be too careful

Prefiro não citar nomes, mas dedico este texto àqueles que se entregaram aos urubus!
Mundo dos canibais, lugar difícil de viver e de se adaptar. Difícil pelo ser humano que aqui habita, pessoas que o tornam pior a cada dia, pessoas que muitas vezes mereceriam até morrer. É justo, já que é isso que fazem uns aos outros, os tais “próximos” ou ainda melhor, chamados de “irmãos”. Irmãos? Seria hipocrisia? Se o ser humano é isso, envergonha-me tê-los como meus irmãos. Eu não os daria a minha vida, jamais, por que deveria?
Mas este é o mundo dos canibais, o que falar? Aqui se matam crianças também, espancam e estupram mulheres, somem com seus corpos, maltratam idosos a tapas e pontapés, cometem genocídios. Ninguém é poupado. Mas isso ainda é pouco comparado ao que vemos, ouvimos e lemos. Diria um filme de terror ao vivo, espécie de reality show, dá uma audiência daquela, quanto mais trágico parece ser melhor.
Se não for a violência bruta, será a moral. E eu posso falar de pessoas que conheci. Pessoas que cometem lesões à integridade, não física, mas sim, mental, este tão grave quanto. Pessoas que poderiam evaporar deste mundo, ou melhor, evaporar não, talvez restasse algo no ar e contaminasse aos demais irmãos. Romântico, não? Eu não disse que desejo a morte, isso é muito pesado, mas desejaria que seus corpos virassem cinzas, poderia até ser sem sofrimento, não sou tão má assim, ou então se preferissem, também, poderia entregar seus corpos podres e nojosos cobertos de vermes aos urubus e se algo restasse, poderia servir de adubo às nossas terras.
Repito: não pensem que sou má, muito menos homicida. Quem lê sabe perfeitamente o que fez, o que faz e o que merece. Canibais que criam armadilhas e atacam de forma inesperada. Canibais que tentam derrubar aos outros, enganando-os e, claro, para isso a maldade não lhes basta em suas almas. Mas que almas? Não existem. São artistas, como sabem representar bem! É desta forma que se disfarçam e alanceam suas vítimas pelas costas ou oferecem-lhes veneno e depois vão embora sem ninguém perceber, sem deixar suspeitas ou testemunhas. São profissionais no que fazem. Há uma diversidade de armas. Podem atacar com uma mentira, uma mentirada, potoca, necedade, embuste, com seu olho-gordo, olho-de-secar-pimenta, com a alegria pela desgraça alheia, seu não-me-toques sem razão, com suas próprias leis e regras, com seu palavreado, sua falsidade, mácula, tramóia, futilidade, trapaça, vacuidade, covardia, ninharia, mediocridade, zurraria, fetidez, petulância, omissão, traição, vingança, critiquice, iniqüidade, maliciosidade, pestilência, navalhada, inospitalidade, leseira, vagueação, labéu, vestígio, rastro, disfarce, máscara, ruína, treva, sombra, escuridão, tormento, insanidade, venenosidade, mofineza, insatisfação, pesadume, insuficiência, fedor, tacaca, malignidade, virulência, tenebrosidade, odiosidade, imundícia, fingimento, farsa, subestima, paspalhice, mandonismo, inépcia, rabugice, obscurantismo, mesquinhez, tuna, vagabundagem, vadiação, ociosidade, desdém, má intenção, vertiginosidade, cólera, rixa, safadeza, medo, devassidão, golpe, difamação, frustração, quizila, enfermidade, perrice, ilicitude, rezinza, enxerimento, sobreteima, porcalhada, podridão, esmorecimento, má índole, infantilidade, ordinarismo, molestamento, preconceito, esnobismo, vulgaridade, pequice, turra, funestação, detração, parvoíce, malversação, intriga, fúria, pedantismo, ridicularia, futricagem, seresma, mau-humor, ruindade, fraqueza, impertinência, trapaçaria, ingratidão, contágio, insciência, obscenidade, malvadez, avareza, vadiagem, mendacidade, marasmo, deslealdade, pendenga, politicagem, tagarelice, ululação, chucrismo, inveja (muita, mas muita inveja), entre outros sinônimos, entre outras armas...
Ufa!
... E toda a sua perrengada , zona e submundo também.
Podem até matar o meu corpo, mas jamais permitirei que matem a minha alma.
Por isso, escudo sempre em mãos. Mais cedo ou mais tarde precisaremos dele.

Charlie Brown deprimido




Do lixo interior

"Existe um lixo emocional: ele é produzido nas usinas de nosso pensamento, enquanto crescemos interiormente. São emoções que passaram por nossa vida e nos ajudaram - mas que não tem mais qualquer utilidade. São sentimentos que foram importantes no passado, - não no presente. São recordações de dor que nos amadureceram - e que agora não servem para nada.Não podemos carregar este lixo: ele foi feito para ser jogado fora.E, no entanto, apegados aos nossos sentimentos antigos, ficamos com pena deixá-los. Enchemos nosso porão espiritual com uma confusão de memórias inúteis, que ofuscam as nossas lembranças importantes.Não procure sentir coisas que você não está sentindo mais. Não procure ser como você era. Você está mudando - permita que seus sentimentos lhe acompanhem."
(Paulo Coelho)

The calm after the storm

“Você chegou a essa conjuntura de sua vida simplesmente porque algo em seu íntimo insistia “você merece ser feliz”. Você nasceu para acrescentar alguma coisa, para agregar valor a este mundo. Para ser simplesmente algo maior e melhor do que você foi ontem.
Cada coisa pela qual você passou, cada momento que atravessou, tudo visava a preparar você para este exato momento. Imagine o que poderá fazer, de hoje em diante, com o que sabe agora. Você agora entende que é o criador de seu destino. Então, quanto mais precisará fazer? Quanto mais precisará ser? Quantas pessoas mais precisará abençoar, em razão de sua mera existência? O que você fará com o momento? Como irá aproveitar o momento? Ninguém mais poderá dançar sua dança, ninguém mais poderá cantar sua música, ninguém mais poderá escrever sua história. Quem você é, e o que você faz começam agora mesmo!”
(Lisa Nichols)

I’m not from around here

Mais um dia, mais um pensamento, mais uma lágrima.
Mas onde estou?
Quem sou?
O que estou fazendo?
Para quê?
Por quê?
Até onde vou?
De onde vim?
Por que estou aqui?
Por que continuar?
Por que desistir?
Mas desistir do que mesmo?
Pensamentos são os meus maiores inimigos. Invadem minha mente com bombas e armas, nada acontece com eles. O alvo sou eu.
Seria aqui o inferno? Seja onde for... Neste universo somos pó e da mesma forma partirei.
Ou aqui não é meu lar? Perdida estou? Sim, aqui não é meu espaço.
Olho para as pessoas ao meu redor. Quem são vocês? Olho cada uma, como são estranhas, muitas vezes até me assustam. Seriam vocês de outro mundo? Ou realmente eu não sou deste?
Talvez eu tenha voado e aqui acabei ficando. Ahh, muitas vezes voei, voei muito longe e muito alto, como um pássaro e sempre acompanhada de anjos. Como gostaria de estar lá novamente, mas minhas asas cortei, será que me deslumbrei com tudo aqui? Assim, os pássaros foram embora. Foi a minha decisão.
Meus passos estão mais curtos, não consigo ir além. O sol queima meus olhos, eu não me adapto, tenho um coração, gelado, vazio. Como aqui viverei?
Vivo com minhas lágrimas, estas não me abandonam mais. Elas percorrem meu rosto, como uma carícia, um longo abraço. Tentam me dar respostas que não existem, no que mais acreditar?
Mas as lágrimas, agora, evaporaram. Minha confiança mentiu, minha alegria se desmanchou, meu brilho escureceu, minha esperança sumiu, a amizade correu, a fé me trocou, a vida morreu, ninguém me levou.
Meu pensamento me prendeu e nunca mais me soltara. Sou escrava de mim mesma, mas sozinha não estou. Eu continuo sendo o alvo. Todos estão ao meu redor me observando. Onde vão mirar? Cada tiro me faz desistir porque não tenho mais forças. Desisto da vida, da morte, da luta, dos desejos, dos sentimentos, da crença, do futuro. Desisto em troca do ódio. Ódio das pessoas, de mim mesma, ódio da história, do passado, da mediocridade, da inveja, da hipocrisia, da ironia, dos sorrisos falsos, do estúpido ser humano que ainda dizem ser filhos de Deus.
Deus com D maiúsculo criaria seres tão nojentos, venenosos e canibais? Sim, pois é a lei dos homens que comanda e aqui se matam para viver, mas o que me importa, muitos merecem isso mesmo e o mais podre que ainda exista nessa vida, Deus, quando isso tudo acabará? Ou já acabou e todos se tornaram isso, lixo fétido e cheio de vermes? Talvez sejamos os filhos dos Vermes, que se multiplicam feito pragas.
Saint Exupéry fez do Pequeno Príncipe o mais feliz. Eu também gostaria de cuidar de uma rosa e do meu mundo, não o dos canibais.
Agora falta pouco para o próximo dia, para o próximo pensamento, para a próxima lágrima, se alguma restou.

Till death do us part

Abaixo, segue um trecho do livro Marley e Eu. Trecho enorme, por sinal, por me identificar muito em cada uma dessas palavras, que também já foram minhas um dia, em momentos tristes e difíceis. São os mesmos sentimentos, os momentos de esperança, dor, gratidão, saudades que são tantas e amor, muito amor. O que explica essa relação tão intensa entre os seres humanos e os animais, ou a natureza em geral, sendo que muitos nem se importam com ela? Ou até pior: destroem-na.

“Sem dúvida, a velhice era uma vilã. E, nesse aspecto, bastante indigna...
Marley me fez pensar na brevidade da vida, em suas alegrias efêmeras e nas chances perdidas. Ele me lembrou de que cada um de nós tem apenas uma chance de conquistar a medalha de ouro, sem replay. Num dia, estamos nadando no meio do oceano, certos de que vamos alcançar uma gaivota; no dia seguinte, mal conseguimos nos
 abaixar para beber água em nossa tigela. Como todo mundo, eu tinha apenas um vida para viver...Por quanto tempo ele iria agüentar? E em que momento as dores e os revezes da velhice iriam superar o simples contentamento que ele encontrava a cada dia sonolento e preguiçoso?
Naquela segunda-feira eu já estava perto do... centro da Filadélfia, quando meu celular tocou...
Era a veterinária. É uma situação de emergência com Marley – ela disse.
Ela informou que colocara um tubo em sua garganta e sugado quase todo o gás que estava em seu estômago, o que aliviara o inchaço. Manipulando o tubo, havia conseguido desvirá-lo, e ele havia sido sedado e agora estava repousando...
Apenas temporariamente – respondeu a médica – é quase certo que isso irá acontecer novamente... o caso é muito grave... será algo difícil para um cão nessa idade... a recuperação seria longa e complicada... às vezes, cachorros mais velhos como ele não conseguem sobreviver.
.. ela explicou...
Nós sabíamos que es te dia chegaria; só não imaginávamos que fosse aquele dia. Não quando ela e as crianças estavam fora da cidade sem poder se despedir... Queria estar lá com ele se fosse possível...
A espera havia durado treze anos, mas Marley finalmente teria direito a comida de gente; e nada de sobras, mas comida feita especialmente para ele...
Pensei principalmente em como ele havia sido um companheiro bom e leal durante todos aqueles anos. Tinha sido uma jornada e tanto...Mas eu via que estava chegando a hora em que tería
mos de deixá-lo ir...
Queria que ele soubesse de algumas coisas. Sabe todas aquelas coisas que sempre falamos de você? – sussurrei. – Que você era um saco? Não acredite nisso. Não acredite nem por um minuto, Marley.
Ele precisava saber disso e algo mais também. Havia algo que eu nunca lhe dissera, que nunca ninguém lhe disse. Queria que ele ouvisse antes de morrer: Marley, você é um grande cachorro, eu disse...
Ajoelhei-me novamente à sua frente, segurando sua cabeça entre minhas mãos, enquanto ela preparava a seringa e a colocava no cateter... Ela injetou o líquido. Sua mandíbula estremeceu de leve... Ela disse: ele se foi. Ela me deixou sozinho com ele. Ela estava certa; Marley se fora. Encontrei Jenny... mas eu não conseguia encontrar palavras. Então, ficamos simplesmente abraçados...
Percorri o quintal... entre duas grandes cerejeiras... finquei minha pá. Eram as mesmas árvores por onde Marley e eu passamos disparando com o tobogã...“Para Marley: espero que você saiba o quanto eu o amei minha vida toda. Você sempre esteve ao meu lado quando precisei de você. Na vida e na morte, sempre vou amar você. Seu irmão, Conor... PS: Nunca vou esquecer você”.
Entrei na cova, abri o saco para olhá-lo pela última vez, e coloquei-o em uma posição natural e confortável – como ele ficaria se estivesse na frente da lareira, enrodilhado, a cabeça sobre a lateral de seu corpo. Tudo bem, velhão, é isso aí...
Fizemos uma pausa e, então, como se estivéssemos ensaiado, falamos todos ao mesmo tempo: Marley, nós amamos você...
Para as crianças se sentirem melhor, contei-lhes algo que eu, no fundo, não acreditava. “O espírito de Marley agora está no céu dos cães. Ele está em uma imensa planície dourada, correndo livre. E seus quadris estão bons novamente. E sua audição voltou, sua visão está ótima e ele tem todos os seus dentes. Ele retomou sua forma física e persegue coelhos o dia inteiro”...
A imagem de Marley mexendo-se de forma estabanada pelo céu fez todo mundo gargalhar.
Todas as noites, durante treze anos, ele ficara à porta de casa à minha espera. Voltar agora no final do dia era a parte mais difícil...
Jenny... resolveu extravasar. “Eu sinto falta dele. Quer dizer, eu realmente, realmente sinto a falta dele. Sinto tanto a falta dele que chega a doer em mim”. Eu sei – respondi. – Eu também sinto...
Jamais haverá outro cão como Marley...
Uma pessoa pode aprender muito com um cão, mesmo com um cão maluco como o nosso. Marley me ensinou a viver cada dia com alegria e exuberância desenfreadas, aproveitar cada momento e seguir o que diz o coração. Ele me ensinou a apreciar coisas simples... E enquanto envelhecia e adoecia, ensinou-me a manter o otimismo diante da adversidade. Principalmente, ele me ensinou sobre a amizade e o altruísmo e, acima de tudo, sobre lealdade incondicional...
Marley como mentor. Como professor e exemplo. Seria possível que um cachorro... pudesse mostrar aos seres humanos o que realmente importava na vida? Eu acreditava que sim. Lealdade. Coragem. Devoção. Simplicidade. Alegria. E também as coisas que não tinham importância. Um cão não precisa de carros modernos... ou roupas de grife... Um pedaço de madeira encontrado na praia serve. Um cão não julga os outros por sua cor, credo ou classe, mas por quem são por dentro. Um cão não se importa se você é rico ou pobre, educado ou analfabeto, inteligente ou burro. Se você lhe der seu coração, ele lhe dará o dele. É realmente muito simples, mas, mesmo assim, nós humanos, tão mais sábios e sofisticados, sempre tivemos problemas para descobrir o que realmente importa ou não...
Só quem tem cães pode entender o amor incondicional que eles oferecem e a dor imensa quando eles se vão... Nossos animais de estimação têm vida tão curta e, ainda assim, passam a maior parte do tempo esperando que voltemos para casa todos os dias. É impressionante quanto amor e alegria eles trazem para nossas vidas, e quanto nos aproximamos uns dos outros por causa deles...
Finalmente (sim, enfim, mais uma vez), preciso agradecer àquele meu amigo de quatro patas...”
(Trechos de “Marley e Eu” de John Grogan)

Os animais e o homem

“… Pelo físico, o homem é como os animais, e bem menos dotado do que muitos deles; a natureza lhes deu tudo que o homem é obrigado a inventar com a sua inteligência, para a satisfação de suas necessidades... É bem verdade que o instinto domina a maioria dos animais. Mas, não vês que muitos agem com vontade determinada? É que têm inteligência, embora limitada... O filhote, isolado dos outros de sua espécie, não deixa de construir o seu ninho de acordo com o mesmo modelo, sem que tenha recebido ensino para isso... Os animais não são simples máquinas, como supondes... A inteligência do homem e a dos animais emanam de um único princípio, mas no homem essa passou por uma elaboração que a coloca acima da que existe no animal... e este ser inferior, não tem os mesmos deveres.
Visto que os animais têm uma inteligência que lhes faculta certa liberdade de ação, haverá um princípio independente da matéria. Sim, e que sobrevive ao corpo... É também uma alma, se quiserdes, dependendo do sentido que se der a esta palavra.
Os animais progridem como o homem pela força das coisas, razão por que não há expiação para eles”
(Trechos de “O Livro dos Espíritos” de Allan Kardec)