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Society, you’re a crazy breed

Primeira aula de direito tributário, um ramo do direito público. E esta frase sempre chamou minha atenção:
O tributo não é castigo, e sim o ônus de viver em sociedade.
"O quêêêêêêêêêêêêêêêê???"
Sim, pagamos tributos porque queremos viver em sociedade.
Mas quem disse isso? Quem disse que eu quero viver em sociedade? E ainda nesta sociedade? O que é sociedade afinal? Será que estamos falando do mesmo conceito?
Segundo meu ídolo e inseparável amigo Aurélio Buarque de Holanda Ferreira pode significar, juridicamente, contrato consensual pelo qual duas ou mais pessoas se obrigam a reunir esforços ou recursos para a consecução dum fim comum. Sociologicamente, corpo orgânico estruturado em todos os níveis da vida social, com base na reunião de indivíduos que vivem sob determinado sistema econômico de produção, distribuição e consumo, sob um dado regime político, e obedientes a normas, leis e instituições necessárias à reprodução da sociedade como um todo; coletividade.
Eu vivo nesta tal sociedade porque assim sou obrigada. Obrigada a conviver com seres escrotos, sem oportunidade de escolha. Não podem dizer que “queremos viver em sociedade”, e sim somos simplesmente obrigados a isso. Será que perguntaram a todos mesmo? Quem quer viver em sociedade põe o dedo aqui! Tanta gente que se odeia, até dentro de suas próprias famílias.
Porém, não posso deixar de dizer que tenho minha própria sociedade também, a que eu formei, e esta é bem pequena, mas os que nela se encontram são pessoas limpas e escolhidas por mim, me dão razão para viver. Por isso, não cobro tributos, cobro mais que isso, cobro o preço da minha conquista, nem todos podem pagar, nem todos podem entrar, nem todos podem conviver.
Fora desta, a sociedade é repugnante, não consigo ficar no meio dela e ter uma convivência sadia, não consigo trocar palavras, se encontrasse o gênio da lâmpada mágica eu pediria para tornar-me transparente. Apesar que, atualmente, não tenho sido mais notada mesmo, tento manter-me distante, até que está dando certo, tem sido bom. As poucas vezes que sou notada é alguma confusão armada. Pensando bem, acho que não está dando tão certo assim. No mínimo eu não deveria estar incomodando as pessoas. Por que incomodo tanto assim? Nem conviver com elas eu quero, não é uma opção que fiz. Afinal existem bilhões de pessoas para um único planeta. Cada pessoa no seu metro quadrado. Ado ado ado. Alguns têm que sobreviver em espaços menores. Por opção? Não temos opção. Se tiver, acho que faltei nessa aula.
Acho que desisti da idéia de ter filhos também. Se eu repugno tanto assim a tal sociedade, o meio em que vivo, como eu teria coragem de trazer seres ingênuos para torná-los parte deste mundo? Para fazê-los sofrer? Ou então para eu ser alguma decepção a eles ou eles para mim, ou não ser quem eles gostariam que eu fosse, ou serem simplesmente nada. Eu não poderia fazer isso. Eu acho que não suportaria.

"It’s a mystery to me
we have a greed
with which we have agreed

You think you have to want
more than you need
until you have it all you won’t be free

society, you’re a crazy breed
I hope you’re not lonely without me

When you want more than you have
you think you need
and when you think more than you want
your thoughts begin to bleed

I think I need to find a bigger place
‘cos when you have more than you think
you need more space

society, you’re a crazy breed
I hope you’re not lonely without me"

Eddie Vedder - The Wolf

Cannibals: you can never be too careful

Prefiro não citar nomes, mas dedico este texto àqueles que se entregaram aos urubus!
Mundo dos canibais, lugar difícil de viver e de se adaptar. Difícil pelo ser humano que aqui habita, pessoas que o tornam pior a cada dia, pessoas que muitas vezes mereceriam até morrer. É justo, já que é isso que fazem uns aos outros, os tais “próximos” ou ainda melhor, chamados de “irmãos”. Irmãos? Seria hipocrisia? Se o ser humano é isso, envergonha-me tê-los como meus irmãos. Eu não os daria a minha vida, jamais, por que deveria?
Mas este é o mundo dos canibais, o que falar? Aqui se matam crianças também, espancam e estupram mulheres, somem com seus corpos, maltratam idosos a tapas e pontapés, cometem genocídios. Ninguém é poupado. Mas isso ainda é pouco comparado ao que vemos, ouvimos e lemos. Diria um filme de terror ao vivo, espécie de reality show, dá uma audiência daquela, quanto mais trágico parece ser melhor.
Se não for a violência bruta, será a moral. E eu posso falar de pessoas que conheci. Pessoas que cometem lesões à integridade, não física, mas sim, mental, este tão grave quanto. Pessoas que poderiam evaporar deste mundo, ou melhor, evaporar não, talvez restasse algo no ar e contaminasse aos demais irmãos. Romântico, não? Eu não disse que desejo a morte, isso é muito pesado, mas desejaria que seus corpos virassem cinzas, poderia até ser sem sofrimento, não sou tão má assim, ou então se preferissem, também, poderia entregar seus corpos podres e nojosos cobertos de vermes aos urubus e se algo restasse, poderia servir de adubo às nossas terras.
Repito: não pensem que sou má, muito menos homicida. Quem lê sabe perfeitamente o que fez, o que faz e o que merece. Canibais que criam armadilhas e atacam de forma inesperada. Canibais que tentam derrubar aos outros, enganando-os e, claro, para isso a maldade não lhes basta em suas almas. Mas que almas? Não existem. São artistas, como sabem representar bem! É desta forma que se disfarçam e alanceam suas vítimas pelas costas ou oferecem-lhes veneno e depois vão embora sem ninguém perceber, sem deixar suspeitas ou testemunhas. São profissionais no que fazem. Há uma diversidade de armas. Podem atacar com uma mentira, uma mentirada, potoca, necedade, embuste, com seu olho-gordo, olho-de-secar-pimenta, com a alegria pela desgraça alheia, seu não-me-toques sem razão, com suas próprias leis e regras, com seu palavreado, sua falsidade, mácula, tramóia, futilidade, trapaça, vacuidade, covardia, ninharia, mediocridade, zurraria, fetidez, petulância, omissão, traição, vingança, critiquice, iniqüidade, maliciosidade, pestilência, navalhada, inospitalidade, leseira, vagueação, labéu, vestígio, rastro, disfarce, máscara, ruína, treva, sombra, escuridão, tormento, insanidade, venenosidade, mofineza, insatisfação, pesadume, insuficiência, fedor, tacaca, malignidade, virulência, tenebrosidade, odiosidade, imundícia, fingimento, farsa, subestima, paspalhice, mandonismo, inépcia, rabugice, obscurantismo, mesquinhez, tuna, vagabundagem, vadiação, ociosidade, desdém, má intenção, vertiginosidade, cólera, rixa, safadeza, medo, devassidão, golpe, difamação, frustração, quizila, enfermidade, perrice, ilicitude, rezinza, enxerimento, sobreteima, porcalhada, podridão, esmorecimento, má índole, infantilidade, ordinarismo, molestamento, preconceito, esnobismo, vulgaridade, pequice, turra, funestação, detração, parvoíce, malversação, intriga, fúria, pedantismo, ridicularia, futricagem, seresma, mau-humor, ruindade, fraqueza, impertinência, trapaçaria, ingratidão, contágio, insciência, obscenidade, malvadez, avareza, vadiagem, mendacidade, marasmo, deslealdade, pendenga, politicagem, tagarelice, ululação, chucrismo, inveja (muita, mas muita inveja), entre outros sinônimos, entre outras armas...
Ufa!
... E toda a sua perrengada , zona e submundo também.
Podem até matar o meu corpo, mas jamais permitirei que matem a minha alma.
Por isso, escudo sempre em mãos. Mais cedo ou mais tarde precisaremos dele.

Charlie Brown deprimido