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Hell

O desespero começa a tomar conta de mim. As esperanças que restam afundam-se num buraco negro infinito. Começo a enxergar o que é real. Sonhos se desfazem. É hora de voltar à realidade. Mas o desejo maior é sumir. Seria ótimo ir para muito longe, longe de tudo, estaria eu longe dos problemas, longe dos meus pensamentos também? Ou estes me perseguirão eternamente?
Vontade de chorar, gritar, berrar até explodir, colocar toda essa angústia para fora. Sei que não sou perfeita, pelo contrário, erro sempre pelo excesso.
Por que devo viver de forma submissa e aceitar tudo o que vem a mim? Por que não tenho direito de ser feliz? Por que todos nós não temos esse direito? Por que temos que nos sacrificar por qualquer coisa? Nada é fácil. Por quê?
Porque aqui onde vivemos é o inferno. Sim, se o inferno existe, este é o lugar. Maldito lugar que nos faz sofrer, a ter os piores sentimentos e experiências possíveis.
Eu odeio este lugar e se aqui é o inferno, para onde irei? Só isso explica esse nó na garganta, esse aperto no peito que sinto, que me sufoca e me engasga.
Se espiritismo existe, devo ter sido alguém muito, muito má. Alguém que não mereceu ter mais alguma tranqüilidade, sorriso, alegria, vontade.
Sorrir. O que é isso? Invejo as pessoas que conseguem sorrir, um sorriso sincero que vem lá de dentro e aparece com espontaneidade e de forma humilde e inocente. Pessoas felizes. Pessoas que aparentemente tem uma vida ainda pior, mas que conseguem tirar um sorriso e uma razão para viver. Mas por que eu não consigo? Por que tenho uma mente e uma vida doentia?
Eu sinto-me tão cansada...
De tentar.
De brigar.
De aceitar.
Das terapias.
Das preocupações.
De analisar meus sentimentos podres.
De analisar o mundo.
De tentar um bom emprego e um salário decente.
De pensar.
De estudar.
De chorar.
De viver.
De esperar.
De respirar.
De acreditar.
De ser alguém.
De tomar tantos medicamentos. Entendi que de nada adianta eu tomar todas essas drogas se minha vida não mudar. Não é o cymbalta, nem bupropiona, nem alprazolan, nem lítio, nem diserim, nem lexapro, nem depakote, nem risperidona, nem dormonid, nem neuleptil, nem bromazepam que mudarão minha vida. Nada muda minha vida. Uma farmácia inteira não mudaria minha vida. Nada muda meus sentimentos. Nada alivia. Nada, nada, nada.
Sei que muitos pensam que não tenho vontade, que sou pessimista ou que não tenho fé. Mas ninguém sabe, também, o que eu sinto. É indescritível. Ninguém tem idéia da ferida que existe dentro de mim. Ninguém sabe nem entende o que é depressão.
“O mal se utiliza dos pontos fracos das pessoas para dominá-las. As pessoas impressionáveis, as que se julgam fracas, que se deixam dominar pelo medo, as que se culpam pelos erros, são manipuláveis por eles. Conhecem seus pensamentos íntimos, fazem sugestões mentais. Assim minam a resistência dessas pessoas e as dominam. Não se deixar envolver pelo negativismo, procurar ser otimista, é o primeiro passo para libertar-se deles... Ninguém pode ser feliz escolhendo a infelicidade. Comece agora a pensar em você. Cuide da sua vida, que tem estado abandonada há tantos anos. Chegou a hora de pensar nas escolhas que tem feito ao longo do tempo e em como se envolveu nos problemas que a atormentam... Precisa entender que há que plantar para colher. Confiar na vida, buscar o otimismo, esquecer o passado, já que não dá para mudá-lo, buscar motivação para recomeçar. Você pode.” (Trechos de Ninguém é de ninguém)

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