Meu psicoterapeuta sempre me dizia que se isolar das pessoas não era algo bom, por vários motivos que me explicava. E hoje consigo enxergar uma verdade nisso, coisa que antes não entendia, afinal elas só me faziam mal.
Percebi que ao conversar com as pessoas, da forma que eu sou e não da que pensava que deveria ser, descubro que tudo o que passei não são unicamente "privilégios" meus, mas todos passaram ou passam por algo similar, com mais ou menos intensidade, em diferentes situações, porém, causando um mesmo sentimento. Ou seja, começo a enxergar as mentes das pessoas e que todos nós temos uma mesma base. O ser humano ainda é frágil e ingênuo. Óbvio que não dá para generalizar porque cada um pende mais para o seu lado emocional ou racional, mesmo assim, a verdade é que todos já provaram um pouco desse gosto amargo da vida, se não provou, provará ainda. Justamente pelas diferenças, cada um reagirá de uma forma condizente, mais rápida ou lenta. Enfim, novamente digo, há uma base, em algo somos todos iguais. Aqueles que parecem ser diferentes, só parecem, na verdade são pessoas feitas de vidro, como um dia eu fui, que não deixam se transparecer. Seja por medo, insegurança ou infinitos sentimentos que inundam nossas mentes só para tentar adiar o sofrimento.
Difícil explicar... talvez algum dia eu edite o texto para me expressar melhor. Ou talvez alguém entenda até lá.
"O que era um louco? Não tinha a menor idéia porque esta palavra era empregada de uma maneira completamente anárquica: diziam, por exemplo, que certos esportistas eram loucos por desejarem quebrar recordes. Ou que os artistas eram loucos, pois viviam de uma maneira insegura, inesperada, diferente de todos os “normais”. Por outro lado, Veronika já vira muita gente andando nas ruas de Lubljana, mal agasalhada durante o inverno, pregando o fim do mundo, empurrando carrinhos de supermercado cheios de sacolas e trapos..."
(Veronika decide morrer by Paulo Coelho)
Acordar, Viver
"Como acordar sem sofrimento? Recomeçar sem horror?
O sono transportou-me àquele reino onde não existe vida e eu quedo inerte sem paixão.
Como repetir, dia seguinte após dia seguinte, a fábula inconclusa, suportar a semelhança das coisas ásperas de amanhã com as coisas ásperas de hoje?
Como proteger-me das feridas que rasga em mim o acontecimento, qualquer acontecimento
que lembra a Terra e sua púrpura demente? E mais aquela ferida que me inflijo a cada hora, algoz do inocente que não sou?
Ninguém responde, a vida é pétrea." (by Carlos Drummond de Andrade)
O sono transportou-me àquele reino onde não existe vida e eu quedo inerte sem paixão.
Como repetir, dia seguinte após dia seguinte, a fábula inconclusa, suportar a semelhança das coisas ásperas de amanhã com as coisas ásperas de hoje?
Como proteger-me das feridas que rasga em mim o acontecimento, qualquer acontecimento
que lembra a Terra e sua púrpura demente? E mais aquela ferida que me inflijo a cada hora, algoz do inocente que não sou?
Ninguém responde, a vida é pétrea." (by Carlos Drummond de Andrade)
Se tudo existe
"Se tudo existe é porque sou.
Mas por que esse mal estar?
É porque não estou vivendo do único modo que existe para cada um de se viver e nem sei qual é.
Desconfortável.
Não me sinto bem.
Não sei o que é que há.
Mas alguma coisa está errada e dá mal estar.
No entanto estou sendo franca e meu jogo é limpo.
Abro o jogo.
Só não conto os fatos de minha vida: sou secreta por natureza." (by Clarice Lispector)
Mas por que esse mal estar?
É porque não estou vivendo do único modo que existe para cada um de se viver e nem sei qual é.
Desconfortável.
Não me sinto bem.
Não sei o que é que há.
Mas alguma coisa está errada e dá mal estar.
No entanto estou sendo franca e meu jogo é limpo.
Abro o jogo.
Só não conto os fatos de minha vida: sou secreta por natureza." (by Clarice Lispector)
I had a dream…
Um dia tive um sonho ingênuo, no qual me perdoei porque eu era assim também, além de um ser estúpido, cego, sozinho, deprimido e preguiçoso. Acreditei um dia fazer a diferença (apesar de ainda conseguir acreditar nisso, talvez seja algum motivo de sofrimento). Simplesmente porque a universidade para nada serviu. Pior foi escolher um curso medíocre somado com essa ilusão de fazer a diferença. Era um sonho. Como conseqüência, foram quatro anos mais imprestáveis ainda. Sem ter opção de parar. Quando eu devia ouvir meus próprios conselhos, eu os neguei. Seguia conselhos alheios. Mas o sofrimento era só meu.
Neste meio tempo, pensei em resignação e que, de certa forma, causou um breve alívio. Muito breve. Pensava, ao mesmo tempo, se fiz algo certo nesta vida, pensava e nunca tinha respostas. Enfim, acordei, o sonho interrompeu-se. Como todos os outros, sem se concretizar. Aliás, sonhar já não fazia parte de mim a muito tempo.
Depois de anos e anos sem rumo, naquela mesmice, sem objetivo, sem saber o que mais fazer, brotou algo novo. Um novo sonho? Sei lá. Decidi abrir mão de tudo e começar do zero, mudar a direção. E assim fui indo, durante meses , hoje já não sei bem onde seguir, será que me perdi, penso eu, mas não. Não posso pensar. Determinação.
Acordo e peço a Deus que me dê forças para tolerar mais um dia nessa terra de seres ignorantes e que me guie sem me perder no meio deles. Ou será que eu deveria rezar ao demo? Quem é o dono dessas terras? Pai dessas criaturas cheias de ruindade?
Às vezes me afasto delas com medo de me contagiar. Ou de falar coisas que não deveria. Não sei o que é melhor. Temos duas opções: mexer-nos para tentar mudar ou deixar como está. O problema é que tentar mudar causa desconforto nas demais pessoas que se afastam de você e o papel pode inverter-se. Coisas da minha mente...
Porém não consigo deixar as coisas como estão. Quero tudo e agora.
“O trabalho não constitui uma necessidade só para ganhar dinheiro, mas para que o indivíduo desenvolva sua inteligência e sentimentos, para adquirir qualidades e talentos; o trabalho é fundamental para que o ser humano tenha equilíbrio e felicidade. O próprio Criador é chamado por Aristóteles de Ato Puro porque ele está em total atividade cada segundo, enquanto que os demônios estão parados e esquizofrênicos, sofrendo enorme angústia e depressão... O que o ser humano mais procura é o que geralmente menos tem; estou falando do dinheiro, mas poderia também dizer o mesmo da felicidade, saúde e paz. Poder-se-ia mesmo dizer: realize, faça tudo o que puder para o bem-estar do ser humano, que todo o restante virá automaticamente em sua vida...” (Trabalho e capital by Norberto Keppe)
Neste meio tempo, pensei em resignação e que, de certa forma, causou um breve alívio. Muito breve. Pensava, ao mesmo tempo, se fiz algo certo nesta vida, pensava e nunca tinha respostas. Enfim, acordei, o sonho interrompeu-se. Como todos os outros, sem se concretizar. Aliás, sonhar já não fazia parte de mim a muito tempo.
Depois de anos e anos sem rumo, naquela mesmice, sem objetivo, sem saber o que mais fazer, brotou algo novo. Um novo sonho? Sei lá. Decidi abrir mão de tudo e começar do zero, mudar a direção. E assim fui indo, durante meses , hoje já não sei bem onde seguir, será que me perdi, penso eu, mas não. Não posso pensar. Determinação.
Acordo e peço a Deus que me dê forças para tolerar mais um dia nessa terra de seres ignorantes e que me guie sem me perder no meio deles. Ou será que eu deveria rezar ao demo? Quem é o dono dessas terras? Pai dessas criaturas cheias de ruindade?
Às vezes me afasto delas com medo de me contagiar. Ou de falar coisas que não deveria. Não sei o que é melhor. Temos duas opções: mexer-nos para tentar mudar ou deixar como está. O problema é que tentar mudar causa desconforto nas demais pessoas que se afastam de você e o papel pode inverter-se. Coisas da minha mente...
Porém não consigo deixar as coisas como estão. Quero tudo e agora.
“O trabalho não constitui uma necessidade só para ganhar dinheiro, mas para que o indivíduo desenvolva sua inteligência e sentimentos, para adquirir qualidades e talentos; o trabalho é fundamental para que o ser humano tenha equilíbrio e felicidade. O próprio Criador é chamado por Aristóteles de Ato Puro porque ele está em total atividade cada segundo, enquanto que os demônios estão parados e esquizofrênicos, sofrendo enorme angústia e depressão... O que o ser humano mais procura é o que geralmente menos tem; estou falando do dinheiro, mas poderia também dizer o mesmo da felicidade, saúde e paz. Poder-se-ia mesmo dizer: realize, faça tudo o que puder para o bem-estar do ser humano, que todo o restante virá automaticamente em sua vida...” (Trabalho e capital by Norberto Keppe)
Cheer up!
Esta foi uma das poucas matérias que li que orienta “amigos” sobre como ajudar e não atrapalhar mais a sua vida. Graças a Deus apareceu uma única pessoa assim na minha vida a quem sou completamente grata, pois sua atitude foi mais que o suficiente (posso dizer que significa sentimento de amor, caridade, benevolência com conhecimento, quem sabe não leu algo parecido com este artigo). Lamentavelmente, muitas pessoas que vivem ao nosso redor não são “amigos” de verdade como acreditamos e, em um momento frágil, quando mais se precisa de ajuda, não há alguém para lhe socorrer. Ninguém é obrigado a entender sobre a doença, isso é óbvio. Mas quando há amor nessa relação, seja entre amigos, cônjuges, família etc, automaticamente nasce uma empatia que poderá brotar uma curiosidade em como ajudar e isto poderá ser essencial quando se precisa de apoio alheio. Esta atitude poderá servir para várias situações. Mas somente o fará quem realmente se importar com você. A realidade é esta.
(Marcus, agradeço-lhe por ter me guiado quando estava mais perdida. Sem você eu nada seria hoje. Amo-te!)
“Depressão é uma palavra freqüentemente usada para descrever nossos sentimentos. Todos se sentem "para baixo" de vez em quando, ou de alto astral às vezes e tais sentimentos são normais. A depressão, enquanto evento psiquiátrico é algo bastante diferente: é uma doença como outra qualquer que exige tratamento. Muitas pessoas pensam estar ajudando um amigo deprimido ao incentivarem ou mesmo cobrarem tentativas de reagir, distrair-se, de se divertir para superar os sentimentos negativos. Os amigos que agem dessa forma fazem mais mal do que bem, são incompreensivos e talvez até egoístas. O amigo que realmente quer ajudar procura ouvir quem se sente deprimido e no máximo aconselhar ou procurar um profissional quando percebe que o amigo deprimido não está só triste.
Uma boa comparação que podemos fazer para esclarecer as diferenças conceituais entre a depressão psiquiátrica e a depressão normal seria comparar com a diferença que há entre clima e tempo. O clima de uma região ordena como ela prossegue ao longo do ano por anos a fio. O tempo é a pequena variação que ocorre para o clima da região em questão. O clima tropical exclui incidência de neve. O clima polar exclui dias propícios a banho de sol. Nos climas tropical e polar haverá dias mais quentes, mais frios, mais calmos ou com tempestades, mas tudo dentro de uma determinada faixa de variação. O clima é o estado de humor e o tempo as variações que existem dentro dessa faixa. O paciente deprimido terá dias melhores ou piores assim como o não deprimido. Ambos terão suas tormentas e dias ensolarados, mas as tormentas de um, não se comparam às tormentas do outro, nem os dias de sol de um, se comparam com os dias de sol do outro. Existem semelhanças, mas a manifestação final é muito diferente. Uma pessoa no clima tropical ao ver uma foto de um dia de sol no pólo sul tem a impressão de que estava quente e que até se poderia tirar a roupa para se bronzear. Este tipo de engano é o mesmo que uma pessoa comete ao comparar as suas fases de baixo astral com a depressão psiquiátrica de um amigo. Ninguém sabe o que um deprimido sente, só ele mesmo e talvez quem tenha passado por isso. Nem o psiquiatra sabe: ele reconhece os sintomas e sabe tratar, mas isso não faz com que ele conheça os sentimentos e o sofrimento do seu paciente.”
(Fonte: http://www.psicosite.com.br/tra/hum/depressao.htm)
(Marcus, agradeço-lhe por ter me guiado quando estava mais perdida. Sem você eu nada seria hoje. Amo-te!)
“Depressão é uma palavra freqüentemente usada para descrever nossos sentimentos. Todos se sentem "para baixo" de vez em quando, ou de alto astral às vezes e tais sentimentos são normais. A depressão, enquanto evento psiquiátrico é algo bastante diferente: é uma doença como outra qualquer que exige tratamento. Muitas pessoas pensam estar ajudando um amigo deprimido ao incentivarem ou mesmo cobrarem tentativas de reagir, distrair-se, de se divertir para superar os sentimentos negativos. Os amigos que agem dessa forma fazem mais mal do que bem, são incompreensivos e talvez até egoístas. O amigo que realmente quer ajudar procura ouvir quem se sente deprimido e no máximo aconselhar ou procurar um profissional quando percebe que o amigo deprimido não está só triste.
Uma boa comparação que podemos fazer para esclarecer as diferenças conceituais entre a depressão psiquiátrica e a depressão normal seria comparar com a diferença que há entre clima e tempo. O clima de uma região ordena como ela prossegue ao longo do ano por anos a fio. O tempo é a pequena variação que ocorre para o clima da região em questão. O clima tropical exclui incidência de neve. O clima polar exclui dias propícios a banho de sol. Nos climas tropical e polar haverá dias mais quentes, mais frios, mais calmos ou com tempestades, mas tudo dentro de uma determinada faixa de variação. O clima é o estado de humor e o tempo as variações que existem dentro dessa faixa. O paciente deprimido terá dias melhores ou piores assim como o não deprimido. Ambos terão suas tormentas e dias ensolarados, mas as tormentas de um, não se comparam às tormentas do outro, nem os dias de sol de um, se comparam com os dias de sol do outro. Existem semelhanças, mas a manifestação final é muito diferente. Uma pessoa no clima tropical ao ver uma foto de um dia de sol no pólo sul tem a impressão de que estava quente e que até se poderia tirar a roupa para se bronzear. Este tipo de engano é o mesmo que uma pessoa comete ao comparar as suas fases de baixo astral com a depressão psiquiátrica de um amigo. Ninguém sabe o que um deprimido sente, só ele mesmo e talvez quem tenha passado por isso. Nem o psiquiatra sabe: ele reconhece os sintomas e sabe tratar, mas isso não faz com que ele conheça os sentimentos e o sofrimento do seu paciente.”
(Fonte: http://www.psicosite.com.br/tra/hum/depressao.htm)
Hell
O desespero começa a tomar conta de mim. As esperanças que restam afundam-se num buraco negro infinito. Começo a enxergar o que é real. Sonhos se desfazem. É hora de voltar à realidade. Mas o desejo maior é sumir. Seria ótimo ir para muito longe, longe de tudo, estaria eu longe dos problemas, longe dos meus pensamentos também? Ou estes me perseguirão eternamente?
Vontade de chorar, gritar, berrar até explodir, colocar toda essa angústia para fora. Sei que não sou perfeita, pelo contrário, erro sempre pelo excesso.
Por que devo viver de forma submissa e aceitar tudo o que vem a mim? Por que não tenho direito de ser feliz? Por que todos nós não temos esse direito? Por que temos que nos sacrificar por qualquer coisa? Nada é fácil. Por quê?
Porque aqui onde vivemos é o inferno. Sim, se o inferno existe, este é o lugar. Maldito lugar que nos faz sofrer, a ter os piores sentimentos e experiências possíveis.
Eu odeio este lugar e se aqui é o inferno, para onde irei? Só isso explica esse nó na garganta, esse aperto no peito que sinto, que me sufoca e me engasga.
Se espiritismo existe, devo ter sido alguém muito, muito má. Alguém que não mereceu ter mais alguma tranqüilidade, sorriso, alegria, vontade.
Sorrir. O que é isso? Invejo as pessoas que conseguem sorrir, um sorriso sincero que vem lá de dentro e aparece com espontaneidade e de forma humilde e inocente. Pessoas felizes. Pessoas que aparentemente tem uma vida ainda pior, mas que conseguem tirar um sorriso e uma razão para viver. Mas por que eu não consigo? Por que tenho uma mente e uma vida doentia?
Eu sinto-me tão cansada...
De tentar.
De brigar.
De aceitar.
Das terapias.
Das preocupações.
De analisar meus sentimentos podres.
De analisar o mundo.
De tentar um bom emprego e um salário decente.
De pensar.
De estudar.
De chorar.
De viver.
De esperar.
De respirar.
De acreditar.
De ser alguém.
De tomar tantos medicamentos. Entendi que de nada adianta eu tomar todas essas drogas se minha vida não mudar. Não é o cymbalta, nem bupropiona, nem alprazolan, nem lítio, nem diserim, nem lexapro, nem depakote, nem risperidona, nem dormonid, nem neuleptil, nem bromazepam que mudarão minha vida. Nada muda minha vida. Uma farmácia inteira não mudaria minha vida. Nada muda meus sentimentos. Nada alivia. Nada, nada, nada.
Sei que muitos pensam que não tenho vontade, que sou pessimista ou que não tenho fé. Mas ninguém sabe, também, o que eu sinto. É indescritível. Ninguém tem idéia da ferida que existe dentro de mim. Ninguém sabe nem entende o que é depressão.
“O mal se utiliza dos pontos fracos das pessoas para dominá-las. As pessoas impressionáveis, as que se julgam fracas, que se deixam dominar pelo medo, as que se culpam pelos erros, são manipuláveis por eles. Conhecem seus pensamentos íntimos, fazem sugestões mentais. Assim minam a resistência dessas pessoas e as dominam. Não se deixar envolver pelo negativismo, procurar ser otimista, é o primeiro passo para libertar-se deles... Ninguém pode ser feliz escolhendo a infelicidade. Comece agora a pensar em você. Cuide da sua vida, que tem estado abandonada há tantos anos. Chegou a hora de pensar nas escolhas que tem feito ao longo do tempo e em como se envolveu nos problemas que a atormentam... Precisa entender que há que plantar para colher. Confiar na vida, buscar o otimismo, esquecer o passado, já que não dá para mudá-lo, buscar motivação para recomeçar. Você pode.” (Trechos de Ninguém é de ninguém)
Vontade de chorar, gritar, berrar até explodir, colocar toda essa angústia para fora. Sei que não sou perfeita, pelo contrário, erro sempre pelo excesso.
Por que devo viver de forma submissa e aceitar tudo o que vem a mim? Por que não tenho direito de ser feliz? Por que todos nós não temos esse direito? Por que temos que nos sacrificar por qualquer coisa? Nada é fácil. Por quê?
Porque aqui onde vivemos é o inferno. Sim, se o inferno existe, este é o lugar. Maldito lugar que nos faz sofrer, a ter os piores sentimentos e experiências possíveis.
Eu odeio este lugar e se aqui é o inferno, para onde irei? Só isso explica esse nó na garganta, esse aperto no peito que sinto, que me sufoca e me engasga.
Se espiritismo existe, devo ter sido alguém muito, muito má. Alguém que não mereceu ter mais alguma tranqüilidade, sorriso, alegria, vontade.
Sorrir. O que é isso? Invejo as pessoas que conseguem sorrir, um sorriso sincero que vem lá de dentro e aparece com espontaneidade e de forma humilde e inocente. Pessoas felizes. Pessoas que aparentemente tem uma vida ainda pior, mas que conseguem tirar um sorriso e uma razão para viver. Mas por que eu não consigo? Por que tenho uma mente e uma vida doentia?
Eu sinto-me tão cansada...
De tentar.
De brigar.
De aceitar.
Das terapias.
Das preocupações.
De analisar meus sentimentos podres.
De analisar o mundo.
De tentar um bom emprego e um salário decente.
De pensar.
De estudar.
De chorar.
De viver.
De esperar.
De respirar.
De acreditar.
De ser alguém.
De tomar tantos medicamentos. Entendi que de nada adianta eu tomar todas essas drogas se minha vida não mudar. Não é o cymbalta, nem bupropiona, nem alprazolan, nem lítio, nem diserim, nem lexapro, nem depakote, nem risperidona, nem dormonid, nem neuleptil, nem bromazepam que mudarão minha vida. Nada muda minha vida. Uma farmácia inteira não mudaria minha vida. Nada muda meus sentimentos. Nada alivia. Nada, nada, nada.
Sei que muitos pensam que não tenho vontade, que sou pessimista ou que não tenho fé. Mas ninguém sabe, também, o que eu sinto. É indescritível. Ninguém tem idéia da ferida que existe dentro de mim. Ninguém sabe nem entende o que é depressão.
“O mal se utiliza dos pontos fracos das pessoas para dominá-las. As pessoas impressionáveis, as que se julgam fracas, que se deixam dominar pelo medo, as que se culpam pelos erros, são manipuláveis por eles. Conhecem seus pensamentos íntimos, fazem sugestões mentais. Assim minam a resistência dessas pessoas e as dominam. Não se deixar envolver pelo negativismo, procurar ser otimista, é o primeiro passo para libertar-se deles... Ninguém pode ser feliz escolhendo a infelicidade. Comece agora a pensar em você. Cuide da sua vida, que tem estado abandonada há tantos anos. Chegou a hora de pensar nas escolhas que tem feito ao longo do tempo e em como se envolveu nos problemas que a atormentam... Precisa entender que há que plantar para colher. Confiar na vida, buscar o otimismo, esquecer o passado, já que não dá para mudá-lo, buscar motivação para recomeçar. Você pode.” (Trechos de Ninguém é de ninguém)
Cultura merdívora
Existem pessoas que ficam estagnadas durante toda a vida para depois de muito tempo abrir os olhos e perceber parte do que aconteceu no mundo e em sua vida depois de tanto tempo, mesmo assim, ainda sem conseguir acompanhar o tempo real. Pessoas que não fizeram nada para mudar o estágio em que se encontravam, só vivendo a base do trabalho, sem investimentos próprios. Isso prova o quanto o trabalho não enriquece nossa vida, só a estagna, enquanto o tempo corre. É isso que eu não espero para mim. Espero ter conseguido abrir meus olhos na hora certa para que não deixasse a ignorância me corroer e um dia ser um nada na vida. Espero conseguir vencer esta prova o mais rápido possível para largar a cruz que carrego, não em meus ombros, mas em minha mente.
Ou, quem irá saber, talvez estivesse mais feliz e em harmonia com a ignorância que me vestia. Aceitar e ponto. Não causaria atritos. Entenderia que a vida é assim. Mas, não. Preferi me rebelar, ir contra o vento, contra a correnteza, como um furacão que derruba o que tiver pela frente. Será que errei por isso? Em querer fazer que minha vida fosse diferente da que vejo? Porque para viver desta forma escolhi morrer. Um dia poderia, pelo menos, dizer a mim mesma, onde quer que esteja, mesmo embaixo de uma ponte, que tentei. Afinal, a vida é assim. Tentamos, às vezes não conseguimos, caímos, levantamos e tentamos novamente e tentamos e tentamos... então no final avaliarmos o resultado que poderá ser qualquer um. Quem preferir se arriscar será assim. Quem não preferir, continua do jeito que está sem direito de reclamar depois. Em uma aposta podemos ganhar ou perder tudo. Quem viver verá.
Ou, quem irá saber, talvez estivesse mais feliz e em harmonia com a ignorância que me vestia. Aceitar e ponto. Não causaria atritos. Entenderia que a vida é assim. Mas, não. Preferi me rebelar, ir contra o vento, contra a correnteza, como um furacão que derruba o que tiver pela frente. Será que errei por isso? Em querer fazer que minha vida fosse diferente da que vejo? Porque para viver desta forma escolhi morrer. Um dia poderia, pelo menos, dizer a mim mesma, onde quer que esteja, mesmo embaixo de uma ponte, que tentei. Afinal, a vida é assim. Tentamos, às vezes não conseguimos, caímos, levantamos e tentamos novamente e tentamos e tentamos... então no final avaliarmos o resultado que poderá ser qualquer um. Quem preferir se arriscar será assim. Quem não preferir, continua do jeito que está sem direito de reclamar depois. Em uma aposta podemos ganhar ou perder tudo. Quem viver verá.
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